5. Moço do saxofone
1. Como nos dois contos iniciais da antologia Antes do Baile Verde, esse texto é atravessado de diálogos — todos relacionados ao ambiente da pensão, caracterizado como um frege-mosca.
2. O conto é aberto com a fala de um caminhoneiro, como muitos que frequentavam o espaço COMERCIAL da antiga prostituta.
“(...) Eu era chofer de caminhão e ganhava uma nota alta com um cara que fazia contrabando.” p. 44. Eis aí o narrador desse texto que, não suportava assistir às pessoas palitando dentes.”
3. Notas da impressão:
A comida, uma bela porcaria e como não bastasse ter que engolir aquelas lavagens, tinha ainda os malditos anões enroscando nas pernas da gente. E tinha a música do saxofone. p.44. Estamos diante do problema que dá título ao texto.
4. Outros personagens: além dos anões, da ex-prostituta, dos outros volantes, do moço do saxofone, é importante mencionar o companheiro de mesa do narrador: James, um tipo que engolia giletes.
5. Sobre a música e chifres:
Tocava bem, não discuto. O que me punha doente era o jeito, um jeito assim triste como o diabo (...) p.44 — É uma música desgraçada de triste. p.55
— A mulher engana ele até com periquito.
— Deitou com você?
6. O músico e a esposa viviam em quartos separados.
7. Ritmos distintos
Fui recuando de costas. E de repente não aguentei. Se ele tivesse feito qualquer gesto, dito qualquer coisa, eu ainda me segurava, mas aquela bruta calma me fez perder as tramontanas.
— E você aceita tudo isso assim quieto? Não reage? Por que não lhe dá uma sova, não lhe chuta com mala e tudo no meio da rua? Se fosse comigo, pomba, eu já tinha rachado ela pelo meio! Me desculpe estar me metendo, mas quer dizer que você não faz nada?
— Eu toco saxofone.
Fiquei broxa na hora, pomba!
terça-feira, 20 de outubro de 2009
HELGA
4- Helga ... ou resquícios do divã
1. O narrador traz no primeiro parágrafo um quadro descritivo da personagem Helga.
Ela era um só. Não havia outra e se quisesse compará-la com alguma coisa,seria com os tenros cogumelos dos bosques ou com as manhã de bicicleta nas estradas impecáveis ou com as primeiras cerejas da primavera. Era uma, uma, única, apesar de ter uma só perna, aliás bela como ela toda. Mas é cedo para falar não sobre sua beleza — que deve ser lembrada sem enfado quantas vezes for necessário — mas cedo para falar sobre a perna que vai exigir explicação. A perna envolve viagem, guerra, a perna vai tão além... Sem esclarecimento tudo será apenas crueldade. (p.37)
2. Em seguida, ele se apresenta: Paulo Silva, brasileiro. Mas fui alemão. Filho de alemã de Santa Catarina e desse Silva brasileiro que não cheguei a conhecer (...) Mas alemã mal vista porque se casou com o Silva, Paulo também, o que me faria Paulo Silva Filho. Mas nada disso vigorou, na escola eu já era Paul Karsten...
3. Depois das apresentações, interrompe a narrativa: “[...] Tudo aconteceu porque a terceira viagem foi no verão de 1939. Não vou contar minha guerra, Polônia, França, Grécia, Rússia...” e se volta para o título do conto, mas não prossegue; criando assim uma espécie de suspense no leitor —
A beleza de Helga e a sua perna. Confesso que durante muito tempo não sei em qual pensei mais, se na que tinha ou se na que perdera. Mas é cedo. (p.38)
4. Curioso é que hoje já não consigo lembrar qual perna que Helga perdera, se a direita ou a esquerda. E dizer que durante anos não houve dia nem hora que Helga não aparecesse no meu pensamento. Acha meu psicanalista que os esquecimentos parciais são freqüentemente formas sutis de autopunição. (p.38)
5. Assim que acaba a guerra, o narrador vende o capacete e seu punhal com a cruz suástica a um funcionário brasileiro. Depois disso, impossibilitado de voltar ao Brasil, torna-se uma espécie de comerciante do pós-guerra, aproveitando-se da identidade alemã: Paul karsten — o contato com Helga.
6. Cacos da guerra e ferida irônica
“(...) Revivo o tempo da contemplação de sua beleza e depois os interesses de fundo desejo. E lembro muito do casamento. Quanto ao amor por Helga, afirma o analista que não passa de um recurso autopunitivo que resolvi imaginar. O fato é que me casei e na própria madrugada de núpcias fugi para Hamburgo levando a perna ortopédica que em seguida vendi.” (p.42-43)
1. O narrador traz no primeiro parágrafo um quadro descritivo da personagem Helga.
Ela era um só. Não havia outra e se quisesse compará-la com alguma coisa,seria com os tenros cogumelos dos bosques ou com as manhã de bicicleta nas estradas impecáveis ou com as primeiras cerejas da primavera. Era uma, uma, única, apesar de ter uma só perna, aliás bela como ela toda. Mas é cedo para falar não sobre sua beleza — que deve ser lembrada sem enfado quantas vezes for necessário — mas cedo para falar sobre a perna que vai exigir explicação. A perna envolve viagem, guerra, a perna vai tão além... Sem esclarecimento tudo será apenas crueldade. (p.37)
2. Em seguida, ele se apresenta: Paulo Silva, brasileiro. Mas fui alemão. Filho de alemã de Santa Catarina e desse Silva brasileiro que não cheguei a conhecer (...) Mas alemã mal vista porque se casou com o Silva, Paulo também, o que me faria Paulo Silva Filho. Mas nada disso vigorou, na escola eu já era Paul Karsten...
3. Depois das apresentações, interrompe a narrativa: “[...] Tudo aconteceu porque a terceira viagem foi no verão de 1939. Não vou contar minha guerra, Polônia, França, Grécia, Rússia...” e se volta para o título do conto, mas não prossegue; criando assim uma espécie de suspense no leitor —
A beleza de Helga e a sua perna. Confesso que durante muito tempo não sei em qual pensei mais, se na que tinha ou se na que perdera. Mas é cedo. (p.38)
4. Curioso é que hoje já não consigo lembrar qual perna que Helga perdera, se a direita ou a esquerda. E dizer que durante anos não houve dia nem hora que Helga não aparecesse no meu pensamento. Acha meu psicanalista que os esquecimentos parciais são freqüentemente formas sutis de autopunição. (p.38)
5. Assim que acaba a guerra, o narrador vende o capacete e seu punhal com a cruz suástica a um funcionário brasileiro. Depois disso, impossibilitado de voltar ao Brasil, torna-se uma espécie de comerciante do pós-guerra, aproveitando-se da identidade alemã: Paul karsten — o contato com Helga.
6. Cacos da guerra e ferida irônica
“(...) Revivo o tempo da contemplação de sua beleza e depois os interesses de fundo desejo. E lembro muito do casamento. Quanto ao amor por Helga, afirma o analista que não passa de um recurso autopunitivo que resolvi imaginar. O fato é que me casei e na própria madrugada de núpcias fugi para Hamburgo levando a perna ortopédica que em seguida vendi.” (p.42-43)
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