domingo, 19 de julho de 2009

Da Vinci e a velocidade da ausência




Mona Lisa é a pintura mais famosa do mundo e certamente a mais conhecida do artista italiano, Leonardo da Vinci. Não é por menos que essa obra tem suscitado inúmeras releituras nas mais diversas áreas do conhecimento. Trata-se de um quadro emblemático desse gênio do Renascimento e será digna de uma postagem especial em breve.

Depois de muito tempo, volto a este blog para tecer algumas reflexões sobre uma outra obra de Da Vinci, bombardeada de polêmicas após o lançamento do livro e também filme O Código da Vinci, best seller de Dan Brown. Adianto que não li o livro e apenas assisti ao filme, mas para aquilo que pretendo apresentar essas informações são suficientes.

Dispensando alguns elementos técnicos da análise pictórica — linha, perspectiva, jogo de luz, posição das personagens e ponto de fuga — o que mais atiça o meu olhar para esse mural é a mesa na horizontal. Eis aí um signo presente em vários rituais! Ao escolher essa parte da pintura, não estou preocupado em relatar o enredo bíblico que ela encena; tão pouco em mencionar as condições de sua produção; mas para pensar a questão da família, ou melhor, a redução da mesa e o encolhimento dos laços.


Em uma breve análise da família e do espaço casa, vamos perceber que do almoço na casa dos avós às rápidas refeições no apartamento muita coisa mudou. A pós-modernidade é uma espécie de afino da velocidade. “Ninguém tem tempo”. Estamos todos comprometidos com uma carga de tarefas. Os pais vivem correndo de um lado para o outro. Os filhos assistindo de camarote a esses avanços, sem tempo para comentá-los com os pais, que não possuem tempo para dedicar mais tempo à família. E repito insistentemente o vocábulo para brincar com uma outra verdade: o quarto cheio de uma pessoa só, no caso um filho diante do computador em cada quarto; os pais cuidando das obrigações ou também em seus quartos e a mesa lá na sala, pequena, solitária e correndo o risco de desaparecer. Ela não tem recebido nenhum comensal. A minha felicidade é que existe família que se reúne nos finais de semana para colocar a prosa em dia, falar da escola, do trabalho, dos projetos, dos namorados, da vida. Penso que a mesa é um espaço para que a gente possa falar dos nossos sonhos às pessoas mais próximas. É a metáfora da união, do encontro de discípulos.

Nesse sentido, não desmerecendo a riqueza de detalhes da obra A Última Ceia, rascunhei essa reflexão simplesmente para expor a escolha da mesa como rede de laços familiares e para que os nossos encontros sejam todos iluminados antes da última ceia.